top of page

Não confunda "comunidade" com esse bando de gente que só quer pizza grátis

  • Foto do escritor: Thais Cunha
    Thais Cunha
  • 5 de abr.
  • 3 min de leitura

“Não é a mesma coisa falar para muita gente, do que falar com alguém” (Ou quando você cai no papinho do seu sobrinho que fez um curso de ‘Growth Hacking’)

Sérgio tem uma pizzaria de bairro. Daquelas com forno a lenha, azulejo duvidoso e um garçom que sabe que você é corno só pelo jeito que você pede a de calabresa.


Mas aí apareceu o sobrinho. Sempre tem um sobrinho. O dele voltou de um TED Talk (ou de um vídeo de 15 segundos no TikTok) com o "mindset" fritando: — Tio, você tá muito low profile. Se quiser escalar esse business, tem que construir comunidade.


Sérgio não entendeu nada, mas como o garoto falou "escalar" e "comunidade" com uma convicção de quem nunca pagou um boleto na vida, ele topou.


Não confunda "comunidade" com esse bando de gente que só quer pizza grátis

O "Projeto Influencer" do Tio Sérgio


Primeiro, criaram o Instagram. Começaram com aquelas fotos de queijo puxando (que na vida real é frio), promoções de “compre 1 e leve a segunda se marcar 3 amigos” e aquelas enquetes nível QI negativo: “Pizza de abacaxi: crime ou gastronomia?”.


Em duas semanas: 800 seguidores! Sérgio já tava quase comprando um ring light. — A comunidade tá bombando, sobrinho! — comemorava.


Só tinha um detalhe: ninguém comentava nada útil. Ninguém compartilhava. Ninguém respondia os directs. O engajamento era mais morto que o Orkut.


Tio, vamos de estratégia de tração: SORTEIO! — disse o gênio do marketing. Fizeram um. Depois dois. Depois dez. Chegaram a 2300 seguidores. Mas cada postagem era um deserto de coraçõezinhos passivos. Ninguém sabia quem era o Sérgio, ninguém falava do sabor, ninguém perguntava se a massa era fermentação lenta. A galera só tava ali esperando a próxima chance de ganhar uma pizza na faixa pra comer assistindo Netflix sem gastar um real.


O dia que a realidade deu um tapa no marketing


Um dia, Sérgio olhou para o gráfico de barras do sobrinho e perguntou: — Isso aqui é comunidade? O moleque engasgou no matcha.

Até que a Mariela entrou na loja. Cliente das antigas. Trouxe a filha pra comemorar o aniversário com as amigas. O Sérgio, num momento de lucidez humana, tirou uma foto delas e postou nos Stories com a legenda:

“Há 15 anos, a Mariela vinha aqui com o pai dela. Hoje ela voltou com a filha. Essa é a nossa melhor propaganda.”

O post explodiu. Mas não em curtida de bot chinês. Explodiu em gente de verdade:

  • “Cresci comendo essa pizza aos domingos!”

  • “O Sérgio é o melhor, me deu um pedaço de borda quando eu era criança!”

  • “Melhor massa do bairro desde 2008! Saudades.”


O que o "Guru" não te conta


Sérgio sacou a parada. Uma audiência é um bando de gente que te olha (visibilidade). Uma comunidade é gente que fala com você, que te defende na briga e que te escolhe mesmo quando não tem cupom de 50%.


É a diferença entre gritar num megafone no meio da Avenida Paulista... e bater um papo na mesa do bar.


📋 Checklist para você não ser o "Sérgio do Sorteio":


Você conta histórias ou só empurra produto? (Spoiler: ninguém se emociona com um PDF de preços).

Você fala com o público ou dá sermão com megafone? (Responda os comentários como se fosse uma pessoa, não um robô de telemarketing).

Você celebra sua galera? (Mostre quem são seus clientes, humanize o rolê).

Quem te segue sabe por que você faz o que faz? (Se for só por dinheiro, eles vão pro concorrente por 1 real de diferença).

Você cultiva vínculos ou só dá brinde pra desconhecido? (Quem vem por sorteio, vai embora por falta dele).


✨ Reflexão Final (Direto da Sneety):


A audiência te vê. A comunidade te escolhe. No mundo dos negócios reais, é muito melhor ter um grupo pequeno que te ama do que mil seguidores que só te seguem por inércia (ou por uma pizza grátis).


Lembre-se: quem só vem pelo grátis, não valoriza o seu serviço e, com certeza, não vai ser quem vai manter as suas portas abertas.


E aí? Vai continuar acumulando seguidor fantasma ou vai começar a construir uma comunidade de verdade?

Comentários


bottom of page