Quando a solução não é trocar as pilhas do controle remoto
- Thais Cunha

- 27 de jan.
- 3 min de leitura
Sabe-se lá o porquê, mas o empresário médio tem esse hábito exótico de achar que todos os males do mundo se curam com um eslogan bonitinho ou um flyer com uma modelo sorrindo como se tivesse acabado de ganhar na loteria.
Só que a realidade é teimosa, tipo aquela avó que jura que a receita de coxinha dela é a única que presta. Muitas vezes, o problema não é a quantidade de gente olhando a sua vitrine, mas sim a "beleza" do que você tem lá dentro. Os sintomas são claros: as vendas não engrenam, o telefone toca menos que o de um eremita no topo do Himalaia, e o dinheiro entra por uma porta e sai pela janela antes de dar um "oi". Aí o diagnóstico apressado é: "Falta marketing!".

Mas se você der uma raspadinha na superfície, o cheiro de mofo vem de outro lugar. É como se o navio estivesse afundando e a sua maior preocupação fosse escolher o tom de azul para pintar as chaminés.
Por que a gente se engana desse jeito?
Fácil: o marketing é sexy. Ele é o cirurgião plástico dos negócios. Ele te promete o "antes e depois", a transformação mágica. Ele vem com palavras pomposas: "engagement", "branding", "customer experience". Termos que soam como milagres bíblicos. E claro, é muito mais confortável acreditar no poder de um algoritmo místico do que sentar a bunda na cadeira e encarar que o seu produto é um tédio ou que o seu modelo de negócio brilha tanto quanto uma lâmpada queimada.
O marketing te dá aquela sensação de "estou agindo". "Estamos investindo pesado em marketing", você diz para si mesmo no espelho, enquanto a estrutura da empresa range mais que rede de descanso de elefante. O problema é que a gente se convenceu de que o marketing é o botão de "on" das vendas, sem entender que ele é, na verdade, um amplificador. E se você amplifica uma ideia capenga, a única coisa que você consegue é que muito mais gente saiba que você está indo mal.
Soluções (Além da dancinha do gatinho no TikTok)
E aí? Vamos fechar as portas e vender picolé na praia? Calma. A gente só precisa voltar ao básico. Antes de decidir o tamanho do outdoor, vamos ver se o negócio tem pé e cabeça:
A autópsia do modelo de negócio: Quem é você na fila do pão? O que você vende? Pra quem? Por que alguém compraria de você e não do vizinho? Seu preço faz sentido ou é delírio coletivo? Vender casaco de lã no deserto não é erro de marketing, é falta de noção mesmo.
O produto pelado: Tira a embalagem, o logo e aquela descrição poética do Instagram. O serviço é bom? Resolve um problema real? Ou é só mais do mesmo, mas com um filtro diferente? Se você vende sapato só para o pé esquerdo, não existe campanha no mundo que salve o estoque.
A experiência (antes do Community Manager): Como é o processo de compra? É um labirinto? O atendente parece que está te fazendo um favor ou que acabou de chupar limão? Você pode ter o marketing da Apple, mas se o atendimento for um calvário, o cliente foge e não volta nem com brinde.
Os números, meu anjo, os números: Pare de olhar as curtidas e olhe para o caixa. Tem margem? Entra mais do que sai? Se cada venda te deixa com menos lucro que uma moeda de um centavo, você não precisa de marketing, você precisa de um exorcismo financeiro.
Conclusão
O marketing é uma ferramenta poderosa, mas ele não trabalha sozinho. Se a gente foca só no sintoma com uma lupa, resolve a espuma da cerveja. Se a gente usa o microscópio, vê o corpo da bebida e entende por que ela está sem gás.
Para ser um bom cardiologista, o sujeito não estuda só o coração; ele vira médico primeiro para depois se especializar. Na empresa é igual: antes de avaliar o marketing, tem que entender o negócio. Dá um pouquinho mais de trabalho? Dá. Mas economiza uma fortuna e te faz chegar muito mais rápido onde você quer estar.
PD: E ó, sinto te dizer, mas isso aí não se aprende em curso de três horas no YouTube.




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