O preço de ser burro (ou: Por que seu Instagram é lindo e seu saldo é um lixo)
- Thais Cunha

- 14 de mar.
- 2 min de leitura
Sabe a Sofia? A Sofia é aquela empreendedora "good vibes". Ela faz cestas de café da manhã. Coisa fina. Laço de fita, cartãozinho com frase motivacional tipo "te amo mais que pão na chapa" e todo aquele ecossistema de mimos que as pessoas mandam por amor ou porque fizeram m**** e estão com culpa.
Um belo dia, uma influencer (daquelas com nome de fruta, tipo Caju Silvestre ou Pitaya Neon) pediu um "recebido" em troca de publi. A Sofia, emocionada, montou a Cesta Master das Galáxias. Botou Nutella belga, caneca de cerâmica artesanal, flores que não morrem, panqueca de desenho animado... um luxo.
A influencer postou. O Instagram explodiu.
— “Quanto custa essa cesta do vídeo?” — perguntou uma seguidora.
A Sofia entrou em pânico. Ela nunca tinha feito a conta. O cérebro dela fritou.
— “É... R$ 450!” — chutou ela, do nada, tirando o número do éter.
Silêncio. Cinco minutos depois:
— “Frete grátis?” — “Claro, amor! Com certeza!” — respondeu Sofia, no puro reflexo do desespero de ser amada.

A conta que o RH não te conta
Vamos aos fatos (pega a calculadora, Sofia!):
Material da cesta: R$ 380.
Frete (o motoboy não é seu parente): R$ 120.
Saldo final: Sofia pagou R$ 50 para trabalhar.
Ela ganhou um emoji de coração, três likes e uma dívida no cheque especial. Parabéns, Sofia. Você não tem um negócio, você tem um trabalho voluntário não solicitado.
🔍 O que a gente aprendeu (além de que Nutella é caro)?
Preço emocional é o caramba: Cobrar barato porque você "gosta do cliente" ou "quer ajudar" não paga o seu boleto da luz. O boleto não tem sentimentos.
O "chutômetro" é o caminho mais curto para o Serasa: Se você inventa o preço na hora, você não é empreendedor, você é um místico, um vidente de números aleatórios.
Trabalhar de graça é hobby: Se no final do dia você entregou cinco cestas como uma deusa e sobrou R$ 80 no bolso, você não é empresária, você é uma entusiasta de entregas.
📋 Checklist pra você parar de passar vergonha (e fome):
✅ Calculou tudo? Material, tempo, embalagem, imposto e o café que você tomou pra não dormir na montagem. ✅ Botou seu salário? Se você não se paga, você é escrava de si mesma (e o RH é péssimo). ✅ Margem de lucro: Sobrou dinheiro pra investir ou você tá só trocando figurinha? ✅ Pesquisa de mercado: Você viu quanto custa a concorrência ou tá tentando ser a "barateira" até falir?
✨ Reflexão Final:
Cobrar sem saber por que é igual a cozinhar pelado: pode até dar certo, mas as chances de você se queimar feio são altíssimas. Seu preço não é um palpite, é o que mantém seu sonho vivo e sua geladeira cheia.




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