O Paradoxo do Preço Emocional: Por que ninguém quer pagar pelo seu "apego"?
- Thais Cunha

- 29 de jan.
- 2 min de leitura
Se todo mundo quisesse vender as coisas pelo preço que elas "valem no coração", o comércio seria mais difícil que escambo de miçanga em festival hippie. E o Tinder? Nossa, o Tinder seria um caos absoluto de gente se achando um Rolex quando não passa de um Casio paraguaio.

A maioria dos artigos de marketing é escrita pensando no comprador — aquele pobre coitado sendo manipulado pelas emoções. Mas aqui na Sneety a gente vai falar do outro lado: do vendedor que acha que o mundo lhe deve um favor.
O sabre do Napoleão vs. O seu Celta 2010
Beleza, tem gente que compra o sabre do Napoleão. O cara paga uma fortuna porque o Napoleão usou aquilo pra cortar pão ou conquistar a Europa. É um nicho, é único. O preço ali é puro delírio coletivo de colecionador.
Agora, pro resto dos mortais — e pras coisas cotidianas — a galera faz o quê? Pesquisa. Compara. Pergunta. Se as características batem e o preço não parece um assalto à mão armada, eles compram.
Alerta de realidade: Ninguém liga pro seu avô
Senta aqui, vamos conversar. NINGUÉM quer saber se o seu avô veio num navio depois da guerra e construiu a casa com as próprias mãos (história real, tá?). Ninguém dá a mínima se você comprou seu primeiro carro com o suor do seu primeiro estágio sofrido.
Não é que as pessoas sejam cruéis ou desalmadas. É que elas não estão comprando a sua árvore genealógica. Se alguém busca uma casa, quer um teto que não caia na cabeça, num bairro onde não leve um enquadro a cada esquina. O preço é baseado na localização e no estado do banheiro, não no valor sentimental do seu papel de parede de 1980.
Quer vender pelo "sentimento"? Então joga na Mega-Sena
Se você quer cobrar o que você sente que vale, coloca o preço lá no alto e espera. Se vender, vendeu. Mas saiba: você não está fazendo marketing, está fazendo uma promessa pro universo. Tá deixando na mão do destino, tipo quando você cruza o dedo praquele boleto não vencer.
Como cobrar mais sem parecer um maluco
Se você quer vender por mais do que o mercado diz, esquece o seu umbigo. Olha pro consumidor. O que ele ganha com isso? Aquele "valor agregado" que faz você amar o produto é um diferencial real pra ele?
Dica de ouro: Só é diferencial se o cliente valoriza. Se só você valoriza, o nome disso é "coleção pessoal" ou "acumulação compulsiva", não é negócio.
Resumo da ópera
Entender o que o outro está comprando é o básico pra transação acontecer. Tem que calibrar a realidade: contexto, localização, características.
É oferta e demanda, meu anjo. Problema e solução. Se você quiser vender emoção, abre uma igreja ou vira terapeuta. No mercado, o que vale é o que o outro está disposto a pagar, não o quanto você vai chorar quando o produto sair pela porta.




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