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"Achamos que somos os Reis da Cocada (e ignoramos o que não sabemos)"

  • Foto do escritor: Thais Cunha
    Thais Cunha
  • 10 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 27 de jan.

(Ou a famosa armadilha do “isso eu já manjo”)


O Carlos tinha uma loja de ferragens. Mas não era qualquer lojinha não: era A loja do bairro. Pelo menos era o que ele dizia, junto com a esposa, os filhos, a tia Elsa e um brother fiel que levava uns lanches pra ele aos sábados.


Um belo dia, o filho dele — que tinha acabado de fazer um curso de marketing digital — mandou a real:

— Pai, bora agitar essas redes sociais? Ninguém mais usa lista telefônica, né?

— O que você sabe da vida, moleque? — respondeu o Carlos, enquanto colava preço num galão de água sanitária.

— Comigo funciona assim. Sempre vendi no boca a boca e tá tudo certo.

E era verdade.


Achamos que somos os Reis da Cocada (e ignoramos o que não sabemos)

Mas também era verdade que o letreiro da loja parecia ter saído de um filme de 1987, a persiana tinha um adesivo de “Estamos no Facebook” (que ninguém atualizava desde a Copa passada), e a concorrência — uma loja nova tocada por duas minas de 30 anos — já estava vendendo horrores pelo WhatsApp, tinha catálogo online e respondia a galera em menos de 5 minutos.


O Carlos começou a sentir o drama: as vendas caíram.

— É a economia — dizia ele.

— É a chuva.

— O povo não conserta mais nada.

— Estão fazendo algum trabalho contra mim.


A negação do cara era mais forte que cimento de secagem rápida.

Até que uma agência ofereceu uma consultoria. Na faixa. O Carlos foi, com aquela cara de desconfiado e um caderninho novo.


— Você tem noção de quem é seu cliente ideal? — perguntou a consultora. — Sim, óbvio: todo mundo. Primeiro vacilo.

— E qual é o seu ticket médio? — Hmmm… depende do dia. Segundo vacilo.

— Você tem os dados das vendas mensais, separados por tipo de produto? — Ah, eu tenho tudo aqui na minha cabeça. Terceiro vacilo.


Depois de 40 minutos, a consultora fechou o caderno e mandou a braba que fez o Carlos engolir seco: — Carlos, você não tá mal porque não sabe. Você tá mal porque acha que sabe.


Aí a ficha caiu. E doeu, viu?

Porque, no fundo, o Carlos tinha algo que vale ouro: experiência, ralação, honestidade e manha de rua. Mas ele confundia isso com manjar de estratégia, vendas, planejamento e marketing. E quando a gente acha que já é o dono da verdade, não sobra espaço pra aprender nada novo.


Três dias depois, ele pediu outra reunião com a agência. Dessa vez, sem desculpinhas. Sentou, botou o celular pra gravar e disse:

— Me expliquem tudo como se eu não soubesse nada. Porque eu tô vendo que não sei mesmo. Mas quero aprender.

E foi aí que o jogo virou.


🔍 O que aprendemos com isso (mesmo que doa aceitar):


  • Experiência é top, mas não substitui conhecimento técnico.

  • Saber fazer o produto não é a mesma coisa que saber vender, escalar ou divulgar a parada.

  • A frase “eu já sei disso” é a maior inimiga do seu crescimento.

  • As coisas mudam, campeão. Se você não aprende, fica pra trás.

  • O perigo não é não saber. O perigo é ter certeza que sabe, quando na real não sabe de nada.


📌 Checklist: Será que eu tô aberto a aprender?


✅ Reconheço as coisas que não sei ou que me deixam confuso?

✅ Pergunto sem medo de parecer que não manjo?

✅ Tiro um tempo pra entender como funciona o marketing e a estratégia de verdade? ✅ Deixo os outros me ensinarem ou fico o tempo todo me justificando?

✅ Tomo decisões com dados reais ou vou só no meu "feeling"?

✅ Busco ajuda… ou só escuto pra depois fazer tudo do meu jeito antigo?


🧠 A lição final (Papo Reto):


⚠️ Se você não sabe o que não sabe, vai continuar tomando decisão errada.

✅ Admitir que não sabe é o primeiro passo pra começar a crescer de verdade.

💡 Humildade não é se rebaixar. É ter a inteligência de entender que pra avançar tem que aprender, mesmo que você já tenha 20 anos de estrada.

 
 
 

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